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Necessidades
É preciso.
Perder a linha, perder a cabeça, perder o juízo. Perder, quem sabe, alguns arraigados valores. Perder a forma arredondada de algumas certezas. Procurar nas arestas dos dias, escondidos temores. Enveredar-me por outras ruelas e suas cruezas. Fazer outra forma em rotina mais abundante. Deixar de lado os fatos que cansam, os extenuantes. Erguer-me entre o sal e terra - sentir-me gigante. Esquecer as fragilidades que se fazem tão firmes. Perder os pontos que teimam em piscar, invisíveis. Olhar por entre a relva do chão caminhante. Encontrar alguns vermes que estão rastejantes. Pisar com mais força nos fatos mais tristes. Sacudir a poeira das vestes e idéias que, de tão velhas, persistem. Levar a loucura passear com vaidade. Tratar com ensejos de luz os impuros desejos. Da carne sofrida e da alma esquecida mostrar seus lampejos. É preciso mudar os rumos batidos, as teclas usadas. Perceber que mágoas e dores não fazem boa cruzada. Mostrar grandes garras aos variados bandidos. Em braços bem firmes, com flechas envenenadas, matar os valores que teimam e resistem!
luferretti
Enviado por luferretti em 22/12/2009
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